31/07/2016

Jovens sergipanos desenvolvem catálogo cientifico


Com um belo catálogo ilustrado por jovens artistas de uma das comunidades mais pobres do Brasil, Santa Luzia do Itanhy, em Sergipe, o Projeto Arte Naturalista - Ciclo de Vida dos Manguezais encerrou seu primeiro ciclo de construção de uma tecnologia social voltada à promoção do desenvolvimento de jovens e adolescentes de comunidades de extrema pobreza através da arte e mais especificamente da ilustração (aquarela, nanquim e grafite).
O povoado de Santa Luzia do Itanhy é um dos mais antigos de Sergipe e sua fundação coincide com as primeiras tentativas de colonização do solo sergipano pelos portugueses. Localizada na região sul de Sergipe, conta com pouco mais de 13 mil habitantes, distribuídos entre comunidades quilombolas e vilas de pescadores.
A impressão de dois mil exemplares da publicação foi possível graças ao apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) ao Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (IPTI), que concebeu e desenvolve o projeto.
O catálogo científico-cultural ilustrado apresenta a biodiversidade do mangue, com ilustração de jovens carentes da região, após passarem por treinamento na área de pintura e desenho.
O coordenador do IPTI, Saulo Barreto, explicou que o projeto teve por objetivo associar o mundo contemporâneo às técnicas artesanais posicionando os ilustradores sergipanos de uma maneira inovadora não apenas perante o Brasil, mas também perante o mundo. "Essa é a maneira que encontramos para preservar o patrimônio material do artista brasileiro e sergipano. Essa é a idéia do projeto, desenvolver pessoas que vejam que nascer em Santa Luzia do Itanhy é uma vantagem e não um problema", explicou.

Saulo conta, ainda, que objetivo do Arte Naturalista é desenvolver o ensino de arte, estimular a geração de renda da região e a educação ambiental. O projeto trouxe um novo significado do mangue para a população local, ao transformá-lo em arte, e proporcionou novas perspectivas de vida para os jovens.
"O Arte Naturalista foca na identificação de talentos locais em desenho, que recebem formação em ilustração, utilizando materiais que sejam de fácil acesso aos moradores locais, tais como aquarela, nanquim, grafite", pontuou. O projeto iniciou com 97 candidatos dos quais 20 foram selecionados. Desses, 10 concluíram o curso, sendo que 8 produziram ilustrações consideradas de alta qualidade (24 trabalhos no total), as quais compuseram o acervo para a exposição no Museu da Gente Sergipana, inaugurada em 4 de abril de 2013, com a presença dos jovens ilustradores e seus familiares.
Atualmente, os ilustradores atuam como instrutores de arte nas escolas dos seus povoados.
O projeto foi dividido em três linhas distintas que objetivam sua continuidade. A primeira é uma re-aplicação da tecnologia social, onde os ilustradores formados na primeira etapa atuam como instrutores de arte nas escolas de seus respectivos povoados; a segunda é uma elaboração de produtos associados à estética dos manguezais, a proposta é elaborar produtos como, camisetas, roupa de cama entre outros como forma de gerar renda aos ilustradores; e a terceira o aperfeiçoamento das técnicas e elaborações de catálogos científicos/educacionais ilustrados.
O IPTI
O IPTI é uma instituição privada sem fins lucrativos, fundada em 2003, com o propósito de desenvolver inovações tecnológicas de interesse social. Em 2009 mudou sua sede para o povoado de Santa Luzia do Itanhy com o propósito de cumprir sua missão.  Desde sua fundação, o IPTI tem atuado de forma participativa, envolvendo representantes das comunidades locais nos diversos projetos de Tecnologias Sociais que desenvolve. 
Saulo Barreto enfatiza que o papel do instituto é servir de ponte entre ciência, tecnologia e sociedade. "O IPTI trabalha com a ideia de tecnologia social porque acreditamos que ciência e tecnologia são fundamentais para promover a melhoria da qualidade de vida e para conseguir isso é fundamental que busquemos nos aproximar das comunidades. A academia é só parte da solução dos problemas. O IPTI se especializou em fazer essa interface de ciência, tecnologia e sociedade", concluiu.
Coordenação de Comunicação do CNPq

Austrália estará mais ao norte nos mapas de geolocalização



A Austrália terá que corrigir sua latitude e longitude para estar de acordo com os dados dos sistemas de navegação por satélite, segundo um organismo científico oficial.

As coordenadas geográficas deste vasto país estão atualmente afastadas em um metro, segundo a Geoscience Australia, o que pode representar um problema para as novas tecnologias baseadas em dados preciso de geolocalização, como as utilizadas pelos carros sem motorista.

"Temos que ajustar nossas medidas de longitude e latitude" para "que os sistemas de navegação por satélite que utilizamos em nossos smartphones coincidam com os dados cartográficos digitais", declarou nesta semana Dan Jaksa, da Geoscience, à rede de televisão Australian Broadcasting Corporation.

A Austrália se desloca atualmente sete centímetros ao norte por ano devido aos movimentos tectônicos, uma mudança que as coordenadas geográficas precisam levar em conta, segundo Dan Jaksa.

A última atualização das coordenadas geográficas da Austrália foi realizada em 1994, e os novos dados estarão acessíveis em janeiro de 2017.

Fonte: AFP

30/07/2016

A maldição dos astronautas: mais de metade morre com problemas cardíacos



São poucos os privilegiados que puderam entrar no espaço profundo. Grande parte deles morreu de problemas cardiovasculares. Um estudo recente mostra que a causa pode ser a radiação que existe no espaço, explica o Independent.

Dos sete astronautas que integraram a equipa da missão Apollo, três morreram devido a problemas cardiovasculares. O número parece pouco expressivo, mas percentualmente representa 43%, que é cinco vezes maior que a proporção de astronautas que voaram junto à órbita da terra ou que nem chegaram a voar e padecem desse tipo de doenças.

A equipa de investigação admite que ainda há muito pouca informação sobre os efeitos da radiação no corpo humano, mas tudo indica que será nocivo. A experiência conduzida em ratos mostrou que os animais apresentavam danos nas artérias depois de terem sido submetidos a radiação durante seis meses (o que equivale a 20 anos humanos).

O estudo foi conduzido tendo em conta o objetivo de enviar pessoas para Marte até 2026.

Major Tim Peake, astronauta britânico, passou 186 dias na Estação Espacial Internacional e conta que a sensação de regressar à Terra é como a “pior ressaca do mundo”. Peake acrescentou ainda que vai demorar vários meses até que consiga recuperar a densidade óssea, mas que, de resto deve demorar dois ou três dias até se sentir confortável outra vez no planeta.

Fonte: Observador
Foto KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP/Getty Images

Chuva de meteoritos que poderá ser vista nos céus no fim de semana


Uma espetacular chuva de meteoros poderá ser observada a partir desta sexta-feira (29) e durante o fim de semana em todo o mundo.
Conhecido como Delta Aquarídeas, o fenômeno ocorre todos os anos entre os meses de julho e agosto, mas atingirá seu pico nos próximos dias.
Segundo astrônomos, até 20 meteoros poderão ser observados por hora.
A chuva de meteoros Delta Aquarídeas é ligada à passagem do cometa 96P/Machholz, descoberto em 1986 por um astrônomo amador.
A lua minguante tornará o fenômeno ainda mais especial, pois com menos luz os meteoros ficam mais visíveis.
As melhores horas para observar o Delta Aquáridas são entre a meia-noite e antes do amanhecer, entre duas e três da manhã.
Quem estiver no Hemisfério Norte, deve olhar para o sul, perto da constelação de Aquário.
Já que vive abaixo da linha do Equador, como é o caso do Brasil, tem mais sorte, pois os meteoros estarão mais visíveis. Será preciso olhar para o norte.

Perseidas
Contudo, os moradores do Hemisfério Norte poderão ver com mais nitidez as Perseidas, uma outra chuva de meteoros ligada à passagem do cometa Swift-Tuttle, em meados de agosto.
Quem mora acima da Linha do Equador poderá observá-las perto da constelação de Perseu, entre o nordeste e o norte.
Já quem vive no Hemisfério Sul, será preciso olhar em direção ao norte do horizonte.
As chuvas de meteoros ocorre quando a Terra cruza a órbita de um cometa. Quando está perto do Sol e se aquece, o corpo celeste perde pedaços deixando um rastro de pó.
"São esses detritos que se chocam com a atmosfera exterior da Terra a 150 km/h, fazendo com que se evaporem como meteoritos ou estrelas", afirmam especialistas ouvidos pela BBC.
Segundo o site de notícias de ciência Sciencealert, a gravidade da Terra atrai pó e gelo que se desprendem do cometa.

Fonte: BBC

Foto: Divulgação/Nasa

29/07/2016

Terapia experimental contra Alzheimer mostra resultado promissor



Um grupo de cientistas que busca um tratamento para atrasar o avanço do mal de Alzheimer recebeu com esperança os resultados promissores de um pequeno ensaio clínico.
O fármaco experimental LMTM, da empresa TauRx Therapeutics Ltd., sediada em Cingapura, foi concebido para reduzir a acumulação das proteínas tau no cérebro.
Quando o cérebro não funciona corretamente, essa proteína se acumula de forma anormal, provocando degenerações nos neurônios, como a doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência.
De um modo geral, o ensaio clínico envolvendo 891 pessoas com suspeita de Alzheimer não mostrou nenhum benefício para os que tomaram até duas doses da droga ou um placebo.
A maioria dos pacientes do estudo estava tomando, além da droga experimental, outros medicamentos já aprovados para a doença de Alzheimer, disseram os pesquisadores.
Mas um subgrupo menor, de cerca de 100 pacientes que estavam tomando apenas o fármaco experimental e não recebiam nenhum outro tratamento para Alzheimer, mostrou um ritmo de atrofia cerebral muito lento, de acordo com os resultados apresentados na quarta-feira na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC), em Toronto, no Canadá.
"Os resultados do estudo não mostraram benefícios do tratamento para nenhum dos grupos, independentemente das doses do fármaco, nas análises preliminares", disse o autor do estudo Serge Gauthier, professor de neurologia na Universidade McGill.
"No entanto, análises adicionais deram resultados muito alentadores e mostraram que os pacientes que tomaram o LMTM como monoterapia tiveram um declínio significativamente menor do que os pacientes de controle ou do que aqueles que tomaram o LMTM associado a outros tratamentos existentes para Alzheimer", completou.
Desaceleração da atrofia cerebral
Os pesquisadores relataram "um benefício estatisticamente significativo nos resultados cognitivos e funcionais, e uma desaceleração da atrofia cerebral" neste pequeno subgrupo.
Os resultados são parte do primeiro ensaio completo de fase III com uma droga anti-tau para a doença de Alzheimer.
"Em um campo minado pelos fracassos consistentes de novos candidatos a fármacos testados nas fases finais de ensaios clínicos e onde não houve nenhum avanço terapêutico prático na última década, estou animado com a promessa do LMTM como uma potencial nova opção de tratamento para esses pacientes", acrescentou Gauthier.
Cautela
Especialistas não envolvidos no estudo, porém, pediram cautela na interpretação dos resultados.
As conclusões são "interessantes mas também complexas, e vai levar tempo para a área determinar o que elas significam", advertiu Maria Carrillo, diretora científica da AAIC.
"O pequeno número de participantes que receberam a medicação do estudo como monoterapia levanta questões muito importantes. São necessárias pesquisas adicionais para nos ajudar a entender esses resultados, para que mais e melhores terapias para o Alzheimer possam ser criadas e efetivamente testadas", acrescentou.
Evento adverso
O estudo mostrou também que 80% dos participantes relataram pelo menos um evento adverso, incluindo distúrbios do sistema gastrointestinal ou nervoso, infecções e problemas renais.
Quase 47 milhões de pessoas no mundo sofrem algum tipo de demência, um número que deverá subir para 131,5 milhões até 2050, segundo a federação Alzheimer's Disease International.
Não há cura para a doença, mas a agência sanitária americana Food and Drug Administration aprovou cinco medicamentos nos últimos 20 anos para tratar seus sintomas.

Fonte: AFP

Leite de barata tem 3 vezes mais energia que o de vaca, diz estudo



O leite de uma única espécie de barata, a Diploptera punctata, é altamente nutritivo, demostraram pesquisadores do Instituto para Biologia de Células-Tronco e Medicina Regenerativa em Bangalore, na Índia.
A reprodução das baratas geralmente ocorre com ovos, mas, nesta espécie específica, os embriões crescem e se desenvolvem num órgão especializado dentro da mãe, que os alimenta com o leite. Uma vez ingerido pelos embriões, o líquido se transforma em cristais
Os pesquisadores fizeram um pequeno corte no intestino médio dos embriões e analisaram a substância. O resultado do estudo aponta que o leite da barata tem três vezes mais energia que o das vacas. Ele é formado por gorduras, açúcares e proteínas.

Então ele poderia ser uma alternativa de alimento para humanos no futuro? Em entrevista ao jornal "The Washington Post", o bioquímico e pesquisador Ramaswamy disse que o leite de barata “tem um gosto que não se parece com nada em especial”, segundo um amigo que experimentou. De acordo com Ramaswamy, o maior desafio é convencer os humanos a consumir algum produto que tenha leite de barata. "Não acho que alguém vai gostar se você disser: 'Nós extraímos cristais de uma barata e isso será comida'", disse ao jornal.

Além disso, as baratas não têm mamilos, o que poderia dificultar a extração do material. Ramaswamy também disse que estudos futuros devem avaliar se o leite é tóxico para seres humanos. "Eu posso vê-lo [leite de barata] em bebidas de proteína", completou.

Fonte: G1
Foto: International Union of Crystallography

28/07/2016

Cientistas belgas criam máquina que converte urina em água potável

Equipe coletou xixi em festival de música e recuperou 1.000 litros de água.
Sistema criado utiliza energia solar, dizem criadores.




Uma equipe de cientistas de uma universidade na Bélgica anunciou a criação de uma máquina que converte urina em água potável e fertilizante com ajuda de energia solar, uma técnica que pode ser aplicada em áreas rurais e em países em desenvolvimento.
O sistema criado pela Universidade de Ghent usa uma membrana especial e os cientistas afirmam que é eficiente no consumo de energia e pode ser aplicado em áreas desconectadas da rede elétrica.
"Conseguimos recuperar fertilizante e água potável a partir de urina usando apenas um simples processo de energia solar", afirmou o pesquisador Sebastiaan Derese, da universidade.
A urina é coletada em um grande tanque, aquecida com energia solar e passada por uma membrana em que a água é recuperada e nutrientes como potássio, nitrogênio e fósforo são separados.
Sob o slogan em inglês #peeforscience (#xixipelaciencia), a equipe utilizou o equipamento durante um festival de música de 10 dias em Ghent, recuperando 1.000 litros de água da urina do público.
O objetivo é instalar versões maiores da máquina em ginásios e aeroportos, mas também levar o equipamento para áreas rurais de países em desenvolvimento onde fertilizantes e água potável são escassos, disse Derese.
Como ocorreu em projetos anteriores em que a equipe que desenvolveu a máquina se envolveu, a água recuperada do festival será usada para produção de cerveja.
"Chamamos do esgoto para a cervejaria", disse Derese.

Fonte: Reuters
Foto: Francois Lenoir/Reuters

Sonda Rosetta corta comunicação com robô espacial Philae



A sonda europeia Rosetta cortou nesta quarta-feira a comunicação com o robô espacial Philae, pousado no cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

"Hoje, a comunicação com o Philae foi cortada", declarou à AFP Andreas Schuetz, porta-voz da Agência Espacial Alemã (DLR). "É o fim de uma missão fascinante e bem sucedida", acrescentou.

"Mantínhamos esta escuta de maneira um pouco simbólica", explicou à AFP, por sua parte, Philippe Gaudon, da agência espacial francesa CNES.

Mas a sonda Rosetta, que escolta o cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko (conhecido como "Churi"), se afasta cada vez mais do sol e seus painéis recebem cada vez menos luz.

É preciso poupar energia para que a Rosetta possa continuar fazendo funcionar dez instrumentos, explicou o especialista.

Depois de dez anos de viagem como passageiro da sonda Rosetta, Philae conseguiu um marco histórico ao pousar no cometa "Churi". Depois de várias cambalhotas, se estabilizou em uma zona de sombra.

Equipado com 10 instrumentos, o robozinho trabalhou durante 60 horas e depois dormiu por falta de energia.

Em junho de 2015, despertou de novo inesperadamente e manteve vários contatos com a Terra, mas não voltou a dar sinais de vida desde 9 de julho do ano passado.

Em fevereiro, as equipes responsáveis pelo robô decidiram não enviar mais ordens, mas continuavam na escuta por precaução.

Fonte: AFP
Foto: Medialiab/AFP

Cinusp explora ambiguidade entre realidade e imaginação em nova mostra de filmes

Dezesseis obras de fantasia estarão em exibição diariamente entre 25 de julho e 14 de agosto, na Cidade Universitária e no Centro Universitário Maria Antonia




Por Diego C. Smirne/Jornal da USP. O Cinema da USP (Cinusp) traz, a partir do dia 25 de julho, segunda-feira, a mostra Fantasia – Entre o Real e o Imaginário, com uma variada seleção de filmes que abordam os limites e intersecções entre a realidade e a imaginação. As exibições ocorrem até o dia 14 de agosto.

A escolha dos filmes foi feita pelos programadores do Cinusp Thiago Oliveira e Rena Zoé. De acordo com Oliveira, ambos fizeram um debate sobre uma relação de filmes que trabalham no meio-termo entre o que é real e o que é imaginário. “Nós nos baseamos em filmes que apresentam ambiguidade na história, isto é, não deixam claro se as imagens que vemos são fruto da imaginação infantil, por exemplo, ou se realmente existem no universo do filme.”

Além disso, a mostra também convida o espectador a, de fato, exercitar sua imaginação, como acontece no filme espanhol Finisterrae, em que os protagonistas são dois fantasmas, representados pela tradicional imagem de pessoas cobertas por lençóis brancos, numa jornada para sair do limbo em que vagam eternamente. Já o filme português Branca de Neve apresenta os personagens dessa conhecida história em diálogos profundos e densos, mas de maneira inusitada: o filme não tem imagens. “É basicamente uma tela preta, e temos que imaginar os personagens que ouvimos conversando.”

Menos ousados que Branca de Neve, mas também aplicando técnicas inovadoras, são também Alice e A Bela e a Fera – o primeiro, do diretor checo Jan Švankmajer e o segundo, do francês Jean Cocteau, que usam estéticas surrealistas e sombrias para dar uma nova imagem aos clássicos.

A mostra reúne filmes menos conhecidos, grandes clássicos do cinema e alguns sucessos populares, como O Mágico de Oz, História Sem Fim, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, de Tim Burton, e Matilda, um filme que trata justamente do valor da imaginação e da leitura – um dos grandes motores imaginativos – na vida de uma criança. Há também filmes premiados, como O Balão Vermelho, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, e O Labirinto do Fauno, que ganhou três Oscar. Thiago Oliveira destaca também o filme A Lenda da Fortaleza de Suram, que conta uma antiga lenda da Geórgia e, assim como O Labirinto do Fauno, possui um pano de fundo político, tendo sido dedicado aos soldados que morreram pelo país.

Fantasia – Entre o Real e o Imaginário conta com um único filme nacional, Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme. Para destacá-lo, Oliveira diz que o Cinusp pretende trazer o diretor, Cao Hamburger, para um debate. “Ainda não temos a confirmação da vinda dele, mas estamos tentando. Além disso, para todos os outros filmes, eu e o Rena fazemos uma apresentação antes da exibição”, explica.

Os filmes serão exibidos em sessões diárias das 16h às 20h, com entrada gratuita, no Cinusp Paulo Emílio (rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, Favo 4, Cidade Universitária, em São Paulo) e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP (rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-3541 e no site www.usp.br/cinusp, onde está disponível a programação completa da mostra.

Foto: Divulgação-Cinusp

27/07/2016

Professor da UFC produz equipamento de baixo custo para tratamento de água



O Prof. José Capelo Neto, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, desenvolve um método de tratamento de água para comunidades rurais, de até 20 famílias, que atende à qualidade da água recomendada para o consumo humano. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

O projeto "Filtração Rápida em Múltiplas Etapas Aplicada a Pequenas Comunidades do Semiárido" é desenvolvido no centro de pesquisa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), na Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, em Itaitinga.

Para a execução da pesquisa, filtros de pressão de piscinas de baixo custo foram comprados e conectados em série visando promover o tratamento da água de açudes ou lagoas. Resultados preliminares indicam que o equipamento deve ser eficiente em referência à  qualidade da água tratada e ao baixo uso dela para lavagem e manutenção.

"O objetivo foi utilizar a tecnologia e o conhecimento científico para chegar a uma configuração construtiva simples, ou seja, apesar de termos usado ciência e tecnologia complexas no desenvolvimento do projeto, o equipamento resultante é de extrema simplicidade e funcionalidade", informa o Prof. Capelo. Ele destaca ainda que  o equipamento utiliza material que pode ser facilmente encontrado em lojas da área de construção.

ECONOMIA – De acordo com o pesquisador, estações convencionais de tratamento de água costumam utilizar até 30% da água produzida para limpeza da própria estação, sobrando apenas 70% para o consumo. Os resultados preliminares indicam que o novo equipamento utilizaria apenas entre 4% a 7% da água produzida, dependendo da qualidade da água bruta.

Segundo o Prof. José Capelo, o projeto será concluído até o fim deste ano. O pesquisador pretende  patentear o equipamento, em conjunto com a Funcap e Cagece, para garantir a permanência dele sob domínio público, tornando possível entregá-lo à sociedade.

No entanto, o mecanismo para fazer o equipamento chegar  às comunidades rurais ainda não foi definido. "Uma ideia inicial seria capacitar e treinar pequenas indústrias em municípios do Interior do Estado para a fabricação desses equipamentos, criando assim, uma rede construtiva e de manutenção sustentável, aliando a isso a disseminação tecnológica, a geração de empregos e de riqueza", explica o pesquisador da UFC.

Também participam da pesquisa o engenheiro Fernando Victor Galdino Ponte, do Sistema de Saneamento Rural da Cagece, mestre em Engenharia Hidráulica e Ambiental pela UFC;  Helísia Pessoa Linhares, estudante  de Engenharia Ambiental e bolsista de extensão; e o Prof. Carlos J. Pestana, pesquisador da Robert Gordon University, na Escócia. Samylla Oliveira, mestre em Engenharia Ambiental pela UFC, com experiência profissional na Cagece e na área de tratamento de água, está contribuindo com a pesquisa por meio de uma bolsa do CNPq. 

Com informações da Funcap.
Foto: Prof. José Capelo Neto

Bactérias intestinais surgiram antes mesmo dos humanos, diz estudo

Certas bactérias intestinais surgiram há pelo menos 15 milhões de anos, muito antes dos humanos, de acordo com uma pesquisa publicada na quinta-feira (22).


Esta descoberta sugere que a evolução tem um papel maior na composição da macrobiótica intestinal do que se pensava anteriormente, de acordo com os pesquisadores, cujo trabalho foi publicado na revista americana "Science".
Estas bactérias contribuem para as fases iniciais de desenvolvimento de nossos intestinos, treinam o nosso sistema imunológico para combater os agente patógenos, e podem ainda afetar o nosso humor e comportamento, indica o estudo.
Quando os seres humanos e os grandes primatas evoluíram em diferentes espécies a partir de um ancestral comum, as bactérias presentes nos intestinos deste último também evoluíram em diferentes linhagens, segundo os cientistas.
Assim, a primeira diferenciação de bactérias intestinais ocorreu cerca de 15,6 milhões de anos atrás, quando a linha dos gorilas divergiu da dos hominídeos.
A segunda aconteceu 5,3 milhões de anos atrás, no momento em que o ramo humano se separou dos chimpanzés.
"Nós sabíamos há algum tempo que os seres humanos e os nossos primos mais próximos, os grandes macacos, têm estas bactérias em seus intestinos", diz Andrew Moeller, pesquisador da Universidade de Berkeley e um dos co-autores do estudo.
"A grande questão que queríamos responder era de onde vieram essas bactérias, se do nosso meio ambiente ou da nossa evolução, e por quanto tempo as linhagens foram mantidas", acrescenta.
Para conduzir sua pesquisa, os cientistas analisaram amostras fecais de chimpanzés, bonobos e gorilas que vivem no estado selvagem na África, e pessoas nos Estados Unidos.
Fósseis e índices genéticos permitiram estabelecer que essas quatro espécies de hominídeos evoluíram de um ancestral comum que viveu há mais de 10 milhões de anos atrás.

Fonte: AFP
Foto: The University of Texas at Austin / Illustration by Jenna Luecke

Guaraná tem potencial antioxidante maior do que chá verde, constata estudo


Diego Freire | Agência FAPESP – O chá verde é amplamente consumido devido a uma série de benefícios de uma classe de compostos químicos presente em sua formulação: as catequinas, com ação antioxidante e propriedades anti-inflamatórias, entre outras. Pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) descobriram um concorrente à altura para a bebida, com pelo menos 10 vezes mais catequinas e velho conhecido dos brasileiros: o guaraná.
Ensaios clínicos com voluntários humanos saudáveis revelaram o guaraná como importante fonte de catequinas. Efetivamente absorvidas, elas reduzem o estresse oxidativo no organismo, relacionado ao surgimento de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares, diabetes e câncer, inflamações e envelhecimento precoce em virtude da morte de células, entre outras condições prejudiciais à saúde e ao bem-estar. Os ensaios foram feitos no âmbito da pesquisa Bioacessibilidade, biodisponibilidade e atividade antioxidante de compostos fenólicos do Guaraná (Paullinia cupanain vitro e in vivo, realizada com apoio da FAPESP e coordenada pela pesquisadora Lina Yonekura.
“Até então, o guaraná era visto apenas como estimulante devido ao seu alto teor de cafeína, principalmente pela comunidade científica internacional. No Brasil, também observamos que havia uma escassez de trabalhos enfocando outros efeitos biológicos do guaraná. A avaliação pioneira sobre a absorção e os efeitos biológicos de suas catequinas em voluntários humanos pode aumentar o interesse da comunidade científica, do mercado e da sociedade em geral pelo fruto como alimento funcional”, acredita Yonekura, atualmente professora assistente da Faculdade de Agricultura da Kagawa University, no Japão.
paper com os resultados da pesquisa foi destaque de capa da revista Food & Function, da Royal Society of Chemistry, do Reino Unido. O artigo Bioavailability of catechins from guaraná (Paullinia cupana) and its effect on antioxidant enzymes and other oxidative stress markers in healthy human subjects foi publicado no periódico como um dos Hot Articles de 2016 e é assinado por Yonekura, Carolina Aguiar Martins, Geni Rodrigues Sampaio, Marcela Piedade Monteiro, Luiz Antônio Machado César, Bruno Mahler Mioto, Clara Satsuki Mori, Thaíse Maria Nogueira Mendes, Marcelo Lima Ribeiro, Demetrius Paiva Arçari e Elizabeth 
Leia mais em Agência FAPESP.
Foto: Capa da revista Food & Function

26/07/2016

Brasil ganha três medalhas de bronze em olimpíada de biologia



A equipe do Brasil terminou a 27ª edição da Olimpíada Internacional de Biologia (IBO, na sigla em inglês), com três medalhas de bronze e uma menção honrosa. O evento começou no dia 17 de julho e terminou neste domingo (24), em Hanói, no Vietnã. 
Entre os participantes da equipe brasileira estavam Victor Tsuda e Matteo Ebram, de São Paulo, Bruno Valério, do Paraná, e Luís Eduardo Fernandes, do Ceará. Eles foram acompanhados pelos professores Rubens Oda e Daniel Berto. 
Victor, Matteo e Bruno receberam, cada um, uma medalha de bronze, e Luís Eduardo recebeu uma menção honrosa ao fim das provas. 
As equipes dos 72 países participantes tiveram dois dias de provas. Em um dia foram aplicados os exames práticos e, no outro, os exames teóricos. A cerimônia de premiação aconteceu no sábado (23). 

Fonte: G1
Foto: Divulgação

Impulse II encerra viagem e é 1º avião a cruzar o mundo com energia solar


O avião Solar Impulse II, movido apenas a energia solar, completou sua volta ao mundo após aterrissar no aeroporto internacional de Abu Dhabi às 4h05 (horário local, 21h05 de Brasília), mesmo ponto de onde partiu em março de 2015.
"Este momento é muito especial para nós, completamos esta viagem passo a passo e estamos muito emocionados com a chegada a Abu Dhabi", disse André Borschberg, segundo piloto da aeronave, à agência EFE. O avião foi pilotado por Bertrand Piccard na última etapa entre Egito e Emirados Árabes Unidos.
O Impulse completou 42.000 quilômetros em 17 voos, para os quais necessitou de mais de 500 horas sobrevoando o mar de Arábia, Índia, Mianmar e China, os oceanos Pacífico e Atlântico, os Estados Unidos, o sul da Europa e o norte da África.
Por volta das 19h GMT (16h em Brasília) desta segunda, o avião já tinha percorrido 2.500 km em sua última viagem. Foram 44 horas desde sua saída do Cairo, no Egito, segundo a AFP.
"Lancei o projeto @solarimpulse em 2003 para transmitir a mensagem de que as tecnologias limpas podem conseguir o impossível", disse Piccard em uma publicação no Twitter.
Borschberg também destacou na rede social que o Solar Impulse II "é ao mesmo tempo o primeiro avião com resistência ilimitada e a única aeronave experimental autorizada a sobrevoar as cidades".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua "profunda admiração" por esta iniciativa. "É um dia histórico não só para vocês, mas também para a humanidade", acrescentou em uma conversa com Piccard transmitida ao vivo.
Neste domingo (24), o avião decolou do aeroporto do Cairo com destino a Abu Dabi. "É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Piccard, antes da decolagem, acrescentando que a viagem seria "difícil". "É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", completou.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse II voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.
Em geral, o avião se movimenta a uma velocidade de cerca de 50 km/h, que pode ser duplicada quando está exposto ao sol.

Fonte: EFE
Foto: Jean Revillard / SI2 / via Reuters

FAPESP e IBM lançam chamada de propostas


Agência FAPESP – A FAPESP e a IBM anunciam a primeira chamada de propostas no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições.
Serão apoiados projetos de pesquisadores de instituições de ensino superior ou de institutos de pesquisa do Estado de São Paulo que levem ao desenvolvimento de inovação na área de computação cognitiva.
O foco principal da chamada está em sistemas computacionais capazes de processar e integrar diferentes tipos de dados, aprender em grande escala, tirar conclusões lógicas com propósito e interagir com seres humanos de forma natural.
Os temas de interesse definidos por IBM e FAPESP para a chamada são:
  • Teoria da inteligência artificial e suas aplicações para computação cognitiva
  • Processamento de linguagem natural, compreensão e geração, incluindo texto e fala
  • Representação do conhecimento, grafos de conhecimento e ontologias
  • Planejamento e raciocínio de bom senso
  • Raciocínio probabilístico, aprendizado de máquina e redes neurais
  • Processamento de imagens e visão computacional
  • Robótica incorporando cognição
  • Design de interação e avaliação de sistemas de computação cognitiva
  • Computação afetiva e tecnologias persuasivas
  • Análise visual e compreensão visual
  • Aceleradores de hardware e software para computação cognitiva
  • Big data analytics, incluindo aceleração de hardware e software
  • Plataformas de software e middleware para computação cognitiva
  • Tópicos relacionados em inteligência artificial e análise de dados avançados
É desejável que software resultante do projeto, se houver, seja amplamente distribuído como software livre, quando possível sob a Licença Apache 2.0, e que os dados resultantes sejam disponibilizados para acesso aberto.
Os pesquisadores deverão levar em conta as medidas especiais para lidar com dados sensíveis, por exemplo, para acomodar as restrições legais ou éticas sobre o acesso a esses dados, provisões para privacidade, segurança e outros, quando aplicável.
As propostas devem seguir as normas do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). A duração dos projetos selecionados será de até dois anos.
Propostas serão recebidas até 16 de setembro de 2016.
A chamada está publicada em: fapesp.br/10352
Imagem: IBM

25/07/2016

Bolívia: estudantes criam gel de coca que alivia dores de chikungunya


Quatro estudantes universitários bolivianos desenvolveram um gel com base na milenar folha de coca que, aplicado nas articulações, alivia eficazmente a típica dor provocada pela doença chikungunya.

"A coca tem 14 alcalóides, dos quais sintetizamos quatro que têm propriedades analgésicas", explicou Hugo Nuñez, um dos criadores do produto, ao jornal El Deber de Santa Cruz (leste da Bolívia).

O gel foi aplicado várias vezes ao dia diretamente nas articulações de pacientes com chikungunya, sendo constatado um evidente alívio nas dores.

A chikungunya é produzida por um vírus homônimo transmitido pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doença provoca febre e fortes dores articulares.

"O vírus fica nas articulações e impede a irrigação sanguínea, por isso os anti-inflamatórios não costumam chegar diretamente ao lugar da dor", detalhou Damaris Vaca, outra das criadoras do produto, premiado em uma feira universitária de Ciência e Tecnologia.

Os criadores do gel, estudantes de fisioterapia e kinesiologia, tentam potencializar seus resultados com o ultrassom, para facilitar a penetração do medicamento e esperam provar sua eficácia no caso de artrite.

Segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) na América Latina foram registrados 36.732 casos confirmados de transmissão autóctone de chikungunya. Desses casos, 1.190 foram registrados na Bolívia.

A Bolívia é o terceiro produtor mundial de coca depois de Colômbia e Peru, segundo estimativas oficiais.

Fonte: AFP

Neandertais da Europa do Norte eram canibais


Os ossos de pelo menos cinco pessoas, entre as quais uma criança, descobertos numa caverna de Goyet, na Bélgica, estão a ajudar a contar uma nova história sobre a nossa evolução. Uma história de violência, em que pela primeira vez os pesquisadores descobriram provas da prática de canibalismo entre os Neandertais na Europa do norte, há cerca de 40 mil anos.

A pesquisa de um equipa internacional de cientistas, entre os quais peritos da universidade alemã de Tubinga e espanhóis da universidade do País Basco, conseguiu recolher 99 fragmentos de esqueletos de Neandertais, a maior coleção do gênero encontrada tão a norte. E da sua análise retirou-se uma conclusão clara: um terço desses ossos apresentavam cortes e sinais de fratura semelhantes aos que eram feitos pelos nossos antepassados em cavalos e renas, que lhes serviam de refeição. Além disso, estes homens usavam ainda os ossos dos seus mortos como ferramentas, usadas no fabrico de outros utensílios.

Esta não é a primeira vez que se encontram provas de canibalismo entre Neandertais - as evidências mais antigas desta prática entre humanos remontam há 800 mil anos e foram encontradas não muito longe de nós, na gruta espanhola de Atapuerca -, sendo que isso só tinha acontecido em Espanha (Zafarraya, El Sidrón) e França (Moula-Guercy, Les Pradelles). Mas agora este trabalho, publicado na revista Scientific Reports, demonstra que em paragens para lá dos Alpes, "tal como se fazia no sul da Europa, os Neandertais tinham rituais de respeito para com alguns dos seus mortos, que enterravam, ao mesmo tempo que viam outros como alimento", explicou o pesquisador basco Asier Gómez ao El Mundo.

Mas esta descoberta ainda levanta dúvidas sobre a forma como os Neandertais lidavam com os seus mortos na fase final da sua existência - eles desapareceram há cerca de 30 mil anos - uma vez que outras escavações na mesma zona não encontraram evidências de práticas semelhantes às reveladas em Goyet, mas apenas vestígios de rituais funerários. "Estas indicações permitem-nos assumir que os Neandertais praticavam canibalismo, mas é-nos impossível dizer se essas pessoas foram massacradas como parte de um qualquer ato simbólico ou apenas para servirem de alimento", reconhece Hervé Bocherens, do Centro de Evolução Humana e Paleoambiente de Tubinga, em declarações ao Science Daily. A terceira caverna de Goyet, de onde foram extraídos estes ossos, foi escavada há 150 anos.

Semelhanças genéticas
Esta pesquisa serviu ainda para solidificar uma outra conclusão, a de que havia pouca variação genética entre os homens espalhados pela Europa nesta época, às vezes separados por milhares de quilómetros - os Neandertais de Goyet tinham semelhanças genéticas com os de Feldhofer (na Alemanha), de Vindija (Croácia) e com os vestígios encontrados na Península Ibética.
A análise ao ADN mitocondrial dos vestígios encontrados permitiu duplicar a informação genética já existente sobre a espécie e confirmar que estes humanos eram bastante semelhantes entre si.

Fonte: Diário de Notícias
Imagem: REUTERS/NIKOLA SOLIC

Bolsa de Pós-Doutorado em Oceanografia na USP


Agência FAPESP – O Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) oferece uma oportunidade de pós-doutorado em Oceanografia com bolsa da FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 29 de julho.
O bolsista participará de proposta de pesquisa desenvolvida no âmbito do projeto FAPESP/NERC "Depósitos marinhos de ferromanganês - um importante recurso de elementos E-tech (MarineE-tech) " que avalia a contribuição microbiana para o ciclo do carbono na coluna d'água em zonas abissais da Elevação do Rio Grande (ERG).
O objetivo do projeto é entender quais as razões ambientais que condicionaram a ocorrência dos depósitos polimetálicos nos montes submarinos e nas planícies abissais do Oceano Atlântico Sul Ocidental.
Sob o ponto de vista biogeoquímico e da contribuição microbiana para o ciclo do carbono, pretende-se: quantificar a assimilação autotrófica de carbono na coluna d'água, assim como o processo de remineralização microbiana; avaliar a influência dos fatores abióticos nas taxas de fotoautotrofia e quimioautotrofia e de produção bacteriana heterotrófica; identificar o(s) efeito(s) das feições oceanográficas do oceano profundo, incluindo os depósitos marinhos de ferromanganês, nos processos do ciclo do carbono; criar sinergia com outros componentes do Projeto E-tech, sobretudo aqueles que envolvem a dinâmica espacial e sazonal do fluxo vertical de matéria orgânica entre as camadas superficiais e o oceano profundo das regiões de estudo.
Trata-se de uma oportunidade única de participar de um estudo inédito e completo sobre o ciclo do carbono no oceano profundo e sua interação com águas superficiais, mostrando a influência das feições oceanográficas adjacentes (como a Elevação do Rio Grande, seus montes submarinos e nódulos polimetálicos, cânions) e comparando dados obtidos com os do Atlântico Norte e Pacífico.
A posição requer formação acadêmica e PhD/Doutorado em campo relevante (Oceanografia Biológica, Microbiologia, Ecologia Microbiana, Biogeoquímica, Oceanografia Microbiana de Mar Profundo), publicações de alto nível, experiência de pesquisa na área, incluindo ampla experiência em expedições científicas, disponibilidade para embarque, familiaridade com metodologias analíticas e estatísticas, fluência em inglês com forte habilidade de comunicação oral e escrita, habilidade de conduzir pesquisas independentemente e vontade de trabalhar em um ambiente interdisciplinar.
O bolsista deverá realizar estudos de revisão bibliográfica sobre o tema; organizar campanhas de amostragem e participar de cruzeiros oceanográficos; analisar in situ e em laboratório os processos microbianos da coluna d'água; usar abordagens estatísticas que integrem as taxas de produção com os fatores ambientais e oceanográficos; analisar os resultados da pesquisa conduzida; interagir com cientistas de diferentes disciplinas; escrever os resultados na forma de relatórios e publicações científicas de alta qualidade; disseminar informações sobre o projeto e seus resultados, tanto para a comunidade científica como para tomadores de decisão.
Os interessados devem encaminhar uma cópia do curriculum vitae, uma carta declarando interesse e nomes, e-mails e telefones de dois contatos profissionais de referência. Todos os documentos devem ser enviados para o prof. Frederico Pereira Brandini, pesquisador principal do Projeto Temático, no e-mail bolsapd.brandini@gmail.com.
A oportunidade está publicada no endereço www.fapesp.br/oportunidades/1201/.
O selecionado receberá bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica da bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.
Caso o bolsista resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação.
Mais informações sobre a bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.
Outras vagas de bolsas de Pós-Doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades
Imagem: Serviço Geológico do Brasil/CPRM

24/07/2016

Fundação Grupo Boticário seleciona projetos ambientais para apoio financeiro


A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza acaba de abrir as inscrições do tradicional ‘Programa de Apoio a Ações de Conservação’. Para essa edição, é possível concorrer em três categorias: ‘Apoio a Projetos’, ‘Apoio a Programas’ e ‘Biodiversidade do Paraná’. As inscrições ficam abertas até 31 de agosto, neste link

A iniciativa visa potencializar a geração de conhecimento, através de pesquisas e estudos da biodiversidade brasileira, além de estimular ações que promovam mudanças positivas no cenário ambiental do país. “Incentivamos projetos que tragam resultados efetivos para a proteção da biodiversidade e contribuam com o cumprimento das metas ambientais internacionais com as quais o país esteja comprometido” afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

A categoria ‘Apoio a Projetos’ selecionará iniciativas que contribuam para a conservação da natureza no Cerrado e na Caatinga, biomas que juntos ocupam 36% do território brasileiro. “A cada edição, escolhemos um ‘recorte’ específico para promover novas iniciativas. Dessa vez, o foco será em projetos de conservação de dois biomas muito importantes para o país. Na Caatinga vivem 27 milhões de brasileiros, além de ser o único bioma exclusivamente nacional. E o Cerrado abriga nascentes de rios que abastecem as principais bacias hidrográficas do país, tanto que carrega o apelido de ‘caixa d’água do Brasil’”, afirma a diretora. 

Com o ‘Apoio a Programas’, são abrangidas iniciativas de média e longa duração, que possibilitem ações de conservação da natureza de maior magnitude e que demandem mais tempo para aplicação. Já a terceira categoria - ‘Biodiversidade do Paraná’-, criada em parceria com a Fundação Araucária, seleciona propostas a serem executadas em qualquer região paranaense, como por exemplo, a área de ocorrência da Floresta com Araucárias, ecossistema característico da Mata Atlântica. 

Linhas temáticas
Para concorrer em qualquer uma das três categorias, é preciso que as propostas atendam a uma das quatro linhas temáticas de apoio. A primeira trata de ‘Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)’ e tem como objetivo a criação, ampliação e execução de atividades prioritárias de seus Planos de Manejo (documentos oficiais de planejamento das unidades de conservação). A segunda linha visa a execução de ações prioritárias para espécies ameaçadas, seguindo os Planos de Ação Nacional (PANs), documentos que elencam ações prioritárias para conservação de determinadas espécies e ecossistemas.

A terceira, ‘Ambientes Marinhos’, é voltada para estudos, ações e ferramentas para a proteção e redução de pressão sobre a biodiversidade marinha. Nesta edição, essa linha será destinada apenas a propostas da categoria ‘Biodiversidade do Paraná’. 
Já a linha ‘Políticas Públicas’ (exclusiva para ‘Apoio a Programas’) visa à implementação e fortalecimento de incentivos para conservação da natureza, instrumentos legais para fiscalização e proteção da biodiversidade, consolidação de áreas protegidas e parcerias para conservação. 

Inscrições
Podem se inscrever no Programa de Apoio a Ações de Conservação instituições sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais (ONGs). Para a categoria ‘Biodiversidade do Paraná’, pessoas físicas e universidades públicas podem se candidatar através do site da Fundação Araucária.
A Fundação Grupo Boticário, ao longo dos seus 25 anos, já apoiou 1.486 projetos de 496 instituições em todo o Brasil, contribuiu para a descrição de 141 espécies e para o estudo de outras 240 espécies ameaçadas. Dúvidas podem ser encaminhadas por e-mail para edital@fundacaogrupoboticario.org.br.

Fonte: Fundação Boticário

Solar Impulse 2 sai do Egito para a última etapa de sua volta ao mundo



O avião Solar Impulse 2 decolou neste domingo (24) do Egito rumo a Abu Dabi para a última etapa de sua volta ao mundo iniciada há mais de um ano. Nesta 17ª e última etapa, o avião é pilotado pelo suíço Bertrand Piccard, que realizou o primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível, graças a suas baterias que acumulam energia solar.
Entre aplausos e gritos de apoio da equipe de terra, o avião decolou do aeroporto do Cairo para uma viagem que deve levá-lo a Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiu no dia 9 de março de 2015.
"É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Bertrand Piccard aos jornalistas reunidos no aeroporto.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.
A Solar Impulse 2 devia ter saído do Egito na semana passada mas sua decolagem foi adiada pelos fortes ventos e por um problema de saúde do piloto.
O avião solar chegou ao Cairo em 13 de julho, depois de decolar de Sevilha (sul da Espanha), trajeto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos.
Piccard disse na noite deste sábado que essa última etapa será difícil. "É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", advertiu.

Fonte: AFP
Foto: Khaled Desouki/AFP

23/07/2016

Astrônomos chilenos criam método para calcular massa de buracos negros


Astrônomos chilenos conseguiram criar um novo método para calcular de forma mais exata a massa dos buracos negros supermaciços que existem em todas as galáxias e que continuam sendo um grande mistério para a ciência.

Segundo uma pesquisa do Departamento de Astronomia da Universidade do Chile divulgada nesta sexta-feira, conhecer a massa desses objetos que estão presentes inclusive na nossa Via Láctea "é fundamental para determinar como e quanto influenciam no seu entorno".

Quando os buracos negros estão inativos, seu efeito nas regiões próximas é quase insignificante, mas quando se tornam "ativos" - ao consumirem material do seu entorno - seu efeito pode ser sentido a distâncias muito maiores, explica a astrônoma Paulina Lira, coautora do estudo.

O método desenvolvido permite calcular de forma mais exata e confiável as massas dos buracos negros supermaciços, utilizando a informação obtida a partir dos gases próximos a esses buracos.

"As galáxias ativas se caracterizam por terem um disco de matéria que emite uma grande quantidade de energia e que está, por sua vez, alimentando o buraco negro com matéria", afirma Julián Mejía, autor principal da pesquisa.

No seu entorno, acrescenta o cientista, "se formam umas nuvens de gás que são iluminadas por este disco incandescente e sobre as quais é possível, mediante a análise de seus espectros, calcular sua velocidade e distância do buraco negro. Ao combinar esta informação, se pode deduzir a massa".

A pesquisa determinou que as massas calculadas são mais confiáveis quanto mais distante se encontre o material do disco. "Uma possível explicação para isso é que as nuvens mais próximas são mais propensas a serem perturbadas por material que provém do disco em forma de ventos", afirma Mejía.

Os resultados foram obtidos graças ao uso do telescópio VLT, localizado no norte do Chile.

A pesquisa continuará estudando como a massa do buraco negro, sua rotação intrínseca e o ritmo com que este devora matéria determinam as propriedades do material circundante.

Fonte: AFP
Foto: Nasa/ESA

Pássaro recebe bico de titânio feito com impressora 3D na China



Um pássaro que perdeu metade do bico durante uma briga no Zoológico de Guangzhou, no sul da China, vai poder voltar a comer normalmente. O grou-da-Manchúria chamado Lili recebeu um bico de titânio feito com impressora 3D.
Depois de usar bicos de plástico para descobrir o tamanho e formato ideais, técnicos imprimiram uma prótese feita de titânio, material escolhido pela força e resistência.
A cirurgia para implantar a prótese foi feita em um hospital veterinário de Guangzhou e durou cerca de meia hora. Logo em seguida, o pássaro já pôde pegar peixes de um balde normalmente.
O grou-da-Manchúria está entre os grous mais raros e maiores do mundo, medindo cerca de 1,5 metro. Há apenas cerca de 2.750 espécimes vivendo na Rússia, China, Mongólia, Japão e Coreia.
Uma de suas características mais distintivas é uma mancha vermelha no alto da cabeça. Eles podem viver até 70 anos e são vistos pela cultura chinesa como símbolos de longevidade e nobreza.


Fonte: Associated Press
Foto: Associated Press

22/07/2016

Zika é detectado em esperma 3 meses após infecção; tempo é recorde


O vírus da zika foi detectado no esperma de um francês 93 dias depois dos primeiros sintomas da infecção, ultrapassando o recorde anterior observado, de 62 dias, segundo um artigo publicado na quinta-feira (21) na revista médica britânica "The Lancet".
O homem, de 27 anos, mostrou alguns sintomas leves - fraqueza, dores musculares e conjuntivite - pouco depois de regressar de uma viagem a Tailândia, no final de 2015.
O paciente, que sofre de câncer, tinha decidido congelar seu esperma antes de começar uma quimioterapia. Foi isso que levou um laboratório a realizar os testes que detectaram o vírus da zika.
Não foi encontrado nenhum vestígio do vírus na urina nem no sangue do paciente, ressaltaram os pesquisadores, entre eles Jean Michel Mansuy, do laboratório de virologia do Centro Hospitalar Universitário de Toulouse, na França.
Na maioria dos casos, o vírus é transmitido por picadas de mosquito, mas o contágio também ocorre através de relações sexuais ou pelo contato com sangue infectado.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam atualmente que os homens infectados pelo zika não tenham relações sexuais sem proteção durante seis meses.
Para os homens cujas parceiras estejam grávidas, os CDC aconselham utilizar preservativos durante toda a gestação.
O zika foi associado a malformações graves e irreversíveis, como a microcefalia, que prejudica o desenvolvimento cerebral e afeta bebês de mulheres que foram infectadas pelo zika durante a gravidez.
Os autores do artigo sugerem que, em relação à transmissão por via sexual, "as recomendações dos CDC sejam regularmente atualizadas para levar em conta a evolução da pesquisa científica sobre o zika, especialmente à luz dessa descoberta, que mostra que o vírus pode permanecer no esperma durante vários meses".
Os sintomas mais frequentes do vírus são erupções cutâneas e dores musculares e nas articulações. Em 80% dos casos, a infecção passa despercebida, e raramente é mortal.

Fonte: AFP
Foto: Paulo Whitaker/File Photo/Reuters

Aquecimento e degelo da Antártida têm breve pausa, diz estudo


O aquecimento e o degelo da Antártida tiveram uma breve pausa, segundo publicação de cientistas nesta quarta-feira (20). A península, um dos lugares da Terra que sofreu pelo aquecimento do clima no último século, voltou a se resfriar devido a alterações naturais no local.
O aquecimento veloz registrado até o final dos anos 1990, que se estende rumo à América do Sul, desencadeou o rompimento de antigas plataformas de gelo, que são vastos fragmentos de gelo que flutuam no final das geleiras, e um declínio em algumas colônias de pinguins.
Uma mudança para ventos mais frios e a chegada de mais gelo marítimo causaram um resfriamento na região, apesar do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A análise foi publicada por cientistas na revista "Nature".
"O aumento de gases de efeito estufa (...) está sendo sobrepujado nesta parte da Antártida" por variações naturais no clima local, disse o principal autor do estudo, John Turner, da Pesquisa Britânica na Antártida (BAS, na sigla em inglês).
"Certamente não estamos dizendo que o aquecimento global acabou. Pelo contrário", disse ele em uma teleconferência a respeito do estudo. "Estamos destacando a complexidade da mudança climática."
Desde aproximadamente 1998, as temperaturas do ar da Antártida diminuíram cerca de 0,5ºC por década, aproximadamente o mesmo ritmo que vinha subindo desde cerca de 1950.
A estabilização do buraco da camada de ozônio sobre a Antártida, que protege o planeta dos raios ultravioleta, pode explicar em parte a alteração nos ventos que levaram ao resfriamento, segundo o estudo.
Mas o aumento de gases de efeito estufa, sobretudo em razão da queima de combustíveis fósseis em todo o mundo, significa que o resfriamento deve ser só um evento isolado em um canto da Antártida.
As temperaturas provavelmente devem voltar a subir e podem ter um acréscimo de 3ºC a 4ºC até o ano de 2.100, alertou Turner.
Na cúpula climática de Paris em dezembro, quase 200 governos assinaram o acordo mais ambicioso até o momento para conter o aquecimento global, adotando a meta de eliminar o uso de combustíveis fósseis gradualmente até 2.100.
Cerca de 10 plataformas de gelo diminuíram muito de tamanho ou se desintegraram na Antártida nas últimas décadas. Em 2014, no mesmo local, cientistas flagraram uma nova rachadura de dezenas de quilômetros de extensão em uma plataforma.

Fonte: Reuters
Foto: Nasa

21/07/2016

Projeto populariza o gosto pela leitura em escola de Itaguaí


O hábito de leitura deve ser construído na infância. Porém, a maioria dos alunos em idade escolar no País não considera a biblioteca como um espaço prazeroso. De acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada na segunda-feira, 11 de julho, pelo Instituto Pró-Livro e pelo Ibope, 75% dos entrevistados associam as bibliotecas a um lugar para pesquisar e estudar – por obrigação –, contra apenas 34%, que mencionam a leitura nesses locais como um prazer. Entre adultos, a proporção é parecida (71% contra os 30% que leem por lazer). Ainda segundo o levantamento, somente um terço dos brasileiros citou a influência de alguém, seja um familiar ou professor, na formação do gosto pela leitura. Mesmo os professores, que em tese deveriam dar o exemplo, têm pouco hábito de leitura – metade respondeu que não estava lendo nenhum livro durante a realização da pesquisa.

Diante desse contexto, o projeto Leitura, Literatura e Formação na Escola, desenvolvido por iniciativa de um grupo de pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), vem promovendo práticas de leitura entre alunos e professores da Escola Estadual Municipalizada Mazomba Doutor Jorge Abrahão, localizada no município de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio. “O objetivo do projeto é popularizar as práticas de leitura nessa escola, que tem alunos do ensino fundamental II – que vai do sexto ao nono ano –, e ampliar o repertório cultural e literário que os estudantes já trazem, valorizando a literatura oral que eles já dominam e aumentando o contato deles com obras clássicas”, diz a Jovem Cientista do Nosso Estado Márcia Cabral, coordenadora do projeto e do grupo de pesquisa Infância, Juventude, Leitura, Escrita e Educação, na Faculdade de Educação da Uerj. O projeto foi contemplado no edital Apoio à Melhoria do Ensino em Escolas da Rede Pública Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ.
Para atingir essa meta, a sala de leitura da escola foi reestruturada. “Compramos mobiliário, aparelho de projeção, tela, porta-revistas e um acervo mais digno de livros, que inclui obras de narrativas curtas e longas, além de DVDs. O acervo ficou com cerca de 500 títulos”, diz Márcia Cabral. Uma estratégia adotada para despertar o interesse dos jovens pela leitura na escola foi trabalhar com obras que estão atualmente na mídia e são atrativas para o público juvenil. “Não menosprezamos o gosto deles pelas séries Crepúsculo Harry Potter, que também integram o acervo”, explica Márcia, que contou com o apoio de toda a equipe da escola, dirigida por Marize Nádia Marçal e Hellen Almeida.
A escolha da escola Dr. Jorge Abrahão ocorreu por influência da doutoranda Aline Santos Costa, então bolsista do programa Treinamento e Capacitação Técnica (TCT) da FAPERJ, orientanda de Márcia e professora de História da escola. “Aline contou que a biblioteca era muito deficiente e resolvemos concorrer ao edital da FAPERJ”, conta Márcia. No dia 16 de maio, foi inaugurada a nova sala de leitura. O espaço, batizado como Vinicius de Moraes, passou a sediar também reuniões semanais do Clube de Leitura dos alunos.
O Clube da Leitura é uma iniciativa para motivar a frequência regular dos estudantes à biblioteca. “Ele teve início em 2015, mas após a inauguração da nova sala, a adesão das crianças a esse projeto aumentou. Elas têm autorização dos pais para ficar na escola à tarde, depois da aula, lendo. As atividades do clube envolvem rodas de leitura e contação de histórias, semanalmente. A sala de leitura também sedia a realização de outras atividades educativas, como as oficinas de poesia, que não são diretamente vinculadas ao Clube de Leitura, mas só se tornaram possíveis com a reestruturação da sala”, detalha Aline. Ela participou da organização do Clube de Leitura junto com professora Aimée Marcilei Azevedo, que trabalha como mediadora da sala de leitura. “É importante ter a figura de um facilitador de leitura para os estudantes, fornecendo suporte e orientação aos jovens que buscam livros”, completa.
O bairro da Mazomba, em Itaguaí, onde está localizada a escola, é uma região semirrural. A escola, com cerca de 120 alunos, ainda não tem acesso à internet. “É uma região com pouco comércio e dificuldades de transporte. A estrada da escola é asfaltada, mas para chegar ao colégio só há uma linha de ônibus, que passa de hora em hora, ou as vans de uma cooperativa local. As crianças dependem de um ônibus escolar da prefeitura”, diz Aline. Diante dessas dificuldades, promover o gosto pela leitura pode trazer reflexos, no futuro, para o próprio desenvolvimento local. “Esse projeto de reestruturação da sala de leitura foi importante não só para a formação leitora dos alunos, mas também dos professores, porque com novos títulos, os mestres podem contar com mais recursos para trabalhar com os alunos e para a própria formação deles”, pondera Aline.
Para a coordenadora do projeto, não existe uma fórmula pronta para desenvolver o gosto pela leitura nas novas gerações, mas a ideia é criar um ambiente favorável, em toda a escola, ao gosto pelos livros. “Muitas vezes, a escola não cria leitores porque se concentra mais nas cobranças para provas. Queremos popularizar a leitura em todo o ambiente escolar. No pátio da escola, tem uma estante de livros para os alunos levarem para casa, em vez de deixá-los fechados na biblioteca. Na entrada da escola, há informações para divulgar o horário de funcionamento do Clube de Leitura. O prazer de ler deve ser compartilhado”, conclui Márcia.
Fonte: Débora Motta – Ascom FAPERJ